Dicionário musical: termos de música explicados
As palavras que você ouve na aula, explicadas em poucas linhas: de pulso e compasso a tonalidade, embocadura ou bambuco.
Ritmo e tempo
- Acento
Um acento é uma ênfase que faz uma nota soar mais forte ou mais destacada do que as que estão ao seu redor. Há acentos próprios do compasso (o primeiro tempo costuma ser o mais forte) e acentos escritos, marcados com o sinal > acima ou abaixo da nota.
- Anacrusa
A anacruse é a nota ou o grupo de notas que soam antes do primeiro tempo forte de uma peça ou de uma frase, num compasso incompleto. Funciona como um impulso que leva até esse primeiro tempo.
“Parabéns pra você” começa com anacruse: “Pa-ra” soa antes do primeiro tempo forte.
- Mínima
A mínima é a figura musical que dura metade de uma semibreve; em 4/4 vale dois tempos. É desenhada com a cabeça vazada e uma haste (o tracinho vertical) e equivale a duas semínimas.
- BPM
BPM é a sigla de batidas por minuto (do inglês beats per minute) e é a medida do andamento de uma peça. A 60 BPM soa uma batida por segundo; a 120 BPM, duas por segundo.
Estude as passagens difíceis num BPM confortável e aumente de 4 em 4 ou de 8 em 8 quando saírem limpas.
- Compasso
O compasso é o agrupamento das pulsações em unidades regulares, cada uma com um primeiro tempo mais forte. Na partitura, é separado por barras verticais e indicado no início com uma fração como 4/4, 3/4 ou 6/8: o número de baixo diz qual figura se conta, e o de cima, quantas cabem.
- Compasso simples e composto
Os compassos simples são aqueles em que cada tempo se divide em duas partes iguais (2/4, 3/4, 4/4); os compostos, aqueles em que cada tempo se divide em três (6/8, 9/8, 12/8). Por isso um 6/8 é sentido em dois tempos de três colcheias cada, e não em seis.
O pasillo é escrito em 3/4, um compasso simples; o bambuco, em 6/8 ou em 3/4.
- Contratiempo
Um contratempo é uma nota que soa na parte fraca do tempo enquanto a parte forte fica em silêncio. Diferentemente da síncope, a nota não se prolonga sobre o tempo seguinte.
Se você conta “1 e 2 e” e só toca em cada “e”, está tocando em contratempo.
- Colcheia
A colcheia é a figura musical que dura metade de uma semínima, então em 4/4 cabem duas por tempo. É desenhada como uma semínima com uma bandeirola na haste; quando vêm várias seguidas, são unidas por uma barra.
- Métrica
A métrica é a organização das pulsações em padrões regulares de tempos fortes e fracos, que na partitura se expressa com o compasso. Pode ser binária (como 2/4), ternária (3/4), quaternária (4/4) ou irregular (5/4, 7/8).
- Metrônomo
O metrônomo é um aparelho ou aplicativo que produz um clique regular num andamento fixo, medido em BPM, para praticar com uma pulsação estável. Muitos permitem acentuar o primeiro tempo de cada compasso.
Experimente o metrônomo online e veja como praticar com metrônomo.
- Semínima
A semínima é a figura musical que dura a quarta parte de uma semibreve e, em compassos como 2/4, 3/4 ou 4/4, vale um tempo. É desenhada com a cabeça preenchida e haste, e equivale a duas colcheias.
- Pulsação
A pulsação é a unidade regular de tempo que se sente na música, como as batidas de um coração: é o que você marca ao bater palmas ou mexer o pé com uma música. Cada pulsação também se chama tempo.
Se você bate palmas acompanhando uma música sem pensar, está marcando a pulsação.
- Puntillo
O ponto de aumento é um ponto escrito à direita de uma nota ou de uma pausa que acrescenta metade da sua duração. Assim, uma mínima pontuada dura três tempos em vez de dois, e uma semínima pontuada, um tempo e meio.
- Semibreve
A semibreve é a figura musical de maior duração de uso comum: é desenhada como um oval vazado sem haste e, num compasso 4/4, dura os quatro tempos. Equivale a duas mínimas ou a quatro semínimas.
- Ritmo
O ritmo é a organização dos sons e dos silêncios no tempo: quanto dura cada um e onde caem os acentos. Junto com a melodia e a harmonia, é um dos elementos básicos da música.
- Semicolcheia
A semicolcheia é a figura musical que dura metade de uma colcheia: em 4/4 cabem quatro por tempo. Leva duas bandeirolas na haste ou, quando vêm em grupo, duas barras que as unem.
Marque a pulsação com o pé e toque quatro notas iguais a cada batida: isso são semicolcheias.
- Silencio
Uma pausa é o sinal que indica por quanto tempo nada deve soar. Cada figura tem uma pausa de mesma duração: de semibreve, de mínima, de semínima, de colcheia e de semicolcheia.
As pausas se contam igual às notas: elas também fazem parte do ritmo.
- Síncope
A síncope é um efeito rítmico em que uma nota começa num tempo fraco, ou na parte fraca de um tempo, e se prolonga sobre o tempo forte seguinte, deslocando o acento esperado. Dá impulso e balanço a gêneros como a cumbia, o son ou o jazz.
- Tempo
O andamento (tempo) é a velocidade com que uma peça é interpretada, ou seja, quão rápido vão as pulsações. É indicado em BPM ou com termos italianos como largo (muito lento), adagio (lento), andante (no passo), moderato, allegro (rápido) e presto (muito rápido).
- Tresillo
Uma tercina é um grupo de três notas iguais que ocupam o tempo que normalmente ocupariam duas da mesma figura. É escrita com um 3 acima ou abaixo do grupo: três colcheias em tercina duram o mesmo que uma semínima.
Não confunda com o “tresillo” da música afro-caribenha, que é outra coisa: um padrão rítmico de 3 + 3 + 2.
Melodia e harmonia
- Acorde
Um acorde é a combinação de três ou mais notas diferentes que soam ao mesmo tempo. O mais básico é a tríade, e os acordes são nomeados pela sua nota fundamental e pelo seu tipo: Dó maior (C), Lá menor (Am), Sol com sétima (G7).
Comece pelos acordes básicos de violão.
- Acorde de sétima
O acorde de sétima é uma tríade à qual se acrescenta uma quarta nota, uma sétima acima da fundamental. O mais comum é o de sétima da dominante (G7: Sol-Si-Ré-Fá), que gera tensão e pede para resolver na tônica, neste caso Dó.
- Harmonia
A harmonia é o uso e o estudo das notas que soam ao mesmo tempo, ou seja, dos acordes e de como eles se encadeiam. Se a melodia é a linha horizontal da música, a harmonia é a sua dimensão vertical, o acompanhamento que lhe dá cor.
- Arpegio
Um arpejo é um acorde tocado nota por nota, uma depois da outra, em vez de todas ao mesmo tempo. É um recurso de acompanhamento muito usado no violão e no piano, e um exercício técnico habitual.
- Cadência
Uma cadência é o encadeamento de acordes que fecha uma frase ou uma obra, como a pontuação num texto. A cadência autêntica (V-I, como Sol-Dó em Dó maior) soa conclusiva; a semicadência, que termina no V, deixa a frase em suspenso.
- Círculo das quintas
O ciclo das quintas é um diagrama que organiza as doze tonalidades como um relógio, cada uma a uma quinta justa da anterior. No sentido horário, cada tonalidade acrescenta um sustenido à armadura de clave e, no sentido anti-horário, um bemol.
Aprenda a desenhá-lo e usá-lo em o ciclo das quintas explicado.
- Consonância e dissonância
A consonância é a sensação de estabilidade e repouso que certos intervalos e acordes produzem, como a oitava, a quinta justa ou as terças; a dissonância é a sensação de tensão que outros produzem, como as segundas, as sétimas ou o trítono. A dissonância não é um erro: cria movimento e pede para ser resolvida.
- Contrapunto
O contraponto é a técnica de combinar duas ou mais melodias independentes que soam ao mesmo tempo e se encaixam harmonicamente. Alcançou seu auge no Barroco, com Johann Sebastian Bach, em formas como o cânone e a fuga.
- Escala
Uma escala é uma série ordenada de notas, ascendente ou descendente, que segue um padrão fixo de tons e semitons a partir de uma nota inicial chamada tônica. Das escalas saem as melodias e os acordes de uma tonalidade.
- Escala cromática
A escala cromática percorre as doze notas da oitava, avançando sempre de semitom em semitom. No piano, equivale a tocar todas as teclas, brancas e pretas, uma após a outra.
- Escala maior
A escala maior tem sete notas no padrão tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom. Dó maior (C) usa apenas as teclas brancas do piano: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, Dó. Seu som costuma ser descrito como brilhante ou alegre.
Compare-a com a menor em escalas maiores e menores explicadas.
- Escala menor
A escala menor natural tem sete notas no padrão tom, semitom, tom, tom, semitom, tom, tom; Lá menor (Am) usa as mesmas notas de Dó maior, começando em Lá. Há também a menor harmônica (sétimo grau elevado) e a melódica (sexto e sétimo elevados na subida).
- Escala pentatônica
A escala pentatônica é uma escala de cinco notas por oitava. A pentatônica maior de Dó é Dó, Ré, Mi, Sol, Lá, e a menor de Lá é Lá, Dó, Ré, Mi, Sol; como não tem semitons, quase qualquer combinação das suas notas soa bem.
É a escala mais usada para começar a improvisar na guitarra, sobretudo no rock e no blues.
- Intervalo
Um intervalo é a distância de altura entre duas notas. É nomeado contando as notas da primeira até a última, ambas incluídas (de Dó a Mi é uma terça), e se especifica pela sua qualidade: justo, maior, menor, aumentado ou diminuto.
Aprofunde-se em o que é um intervalo musical e como reconhecê-lo de ouvido.
- Inversão
Uma inversão é uma disposição de um acorde com uma nota diferente da fundamental no baixo. Dó maior em estado fundamental é Dó-Mi-Sol; na primeira inversão, Mi-Sol-Dó; na segunda, Sol-Dó-Mi. Na cifra americana, escreve-se com barra: C/E.
- Melodia
A melodia é uma sucessão de notas de diferentes alturas e durações que se percebe como uma ideia completa: a parte de uma música que você canta ou cantarola. É construída com intervalos, ritmo e fraseado.
- Modulação
A modulação é a mudança de tonalidade dentro de uma mesma peça. Costuma ser feita com um acorde comum às duas tonalidades ou com a dominante da nova, e traz contraste ou intensidade.
A subida de meio tom ou de um tom no último refrão de muitas baladas é uma modulação.
- Oitava
A oitava é o intervalo entre uma nota e a seguinte de mesmo nome, mais aguda ou mais grave, por exemplo de Dó a Dó (doze semitons). A nota mais aguda vibra com o dobro da frequência; por isso as duas são percebidas quase como a mesma nota.
- Quinta
A quinta é o intervalo que abrange cinco notas, como de Dó a Sol. A quinta justa tem sete semitons e é, depois da oitava, o intervalo mais estável e consonante; é a base dos power chords da guitarra elétrica e do ciclo das quintas.
- Semitom
O semitom, também chamado de meio tom, é a menor distância entre duas notas na música ocidental. No piano, é a passagem de uma tecla para a imediatamente vizinha (de Mi a Fá ou de Dó a Dó♯) e, no violão, a passagem de uma casa para a seguinte.
- Tercera
A terça é o intervalo que abrange três notas, como de Dó a Mi. A terça maior tem quatro semitons (Dó-Mi) e a menor, três (Dó-Mi♭); essa diferença é a que define se um acorde é maior ou menor.
- Tonalidade
A tonalidade é o sistema que organiza uma peça em torno de uma nota central, a tônica, e da escala construída sobre ela. Dizer que uma música está “em Sol maior” significa que Sol é o seu ponto de repouso e que ela usa sobretudo as notas dessa escala.
- Tom
O tom é a distância entre duas notas equivalente a dois semitons, como de Dó a Ré ou de Fá a Sol. Na fala do dia a dia, “tom” também é usado como sinônimo de tonalidade (“em que tom está a música?”) ou de altura de um som.
- Tríade
A tríade é o acorde de três notas formado por uma fundamental, sua terça e sua quinta, por exemplo Dó-Mi-Sol. Conforme seus intervalos, pode ser maior, menor, diminuta ou aumentada.
Leitura e escrita
- Alterações
As alterações são os sinais que modificam a altura de uma nota: o sustenido (♯) a sobe um semitom, o bemol (♭) a desce um semitom e o bequadro (♮) anula uma alteração anterior. Podem estar na armadura de clave ou como acidentes junto a uma nota, e estes valem até o fim do compasso.
- Armadura de clave
A armadura de clave é o grupo de sustenidos ou bemóis escritos no início de cada pentagrama, logo depois da clave, que afetam todas as notas daquele nome durante a peça. Indica a tonalidade: um sustenido (Fá♯) corresponde a Sol maior ou a Mi menor.
- Becuadro
O bequadro (♮) é a alteração que cancela um sustenido ou um bemol, venha ele da armadura de clave ou de um acidente anterior, e devolve a nota à sua altura natural.
Se a armadura de clave tem Fá♯ e aparece um Fá com bequadro, naquele compasso se toca Fá natural.
- Bemol
O bemol (♭) é a alteração que desce uma nota um semitom. Por exemplo, Si♭ (Bb) soa meio tom mais grave que Si. Uma mesma tecla pode ter dois nomes: Dó♯ e Ré♭ soam igual no piano e se chamam notas enarmônicas.
- Notação científica
A cifra americana é o sistema que nomeia notas e acordes com letras: A é Lá, B é Si, C é Dó, D é Ré, E é Mi, F é Fá e G é Sol. Os símbolos indicam o tipo de acorde: Am é Lá menor, G7 é Sol com sétima e C/E é Dó com Mi no baixo.
- Clave de dó
A clave de dó é o sinal que indica em que linha do pentagrama está o Dó central (C). A mais usada hoje é a de terceira linha, própria da viola; a de quarta linha aparece nas passagens agudas do violoncelo, do fagote e do trombone.
- Clave de fá
A clave de fá é o sinal que indica que a nota da quarta linha do pentagrama é Fá (F), o Fá que fica abaixo do Dó central. É usada para instrumentos e vozes graves: violoncelo, contrabaixo, fagote, trombone, baixo elétrico e a mão esquerda do piano.
- Clave de sol
A clave de sol é o sinal, escrito no início do pentagrama, que indica que a nota da segunda linha é Sol (G), o Sol que fica acima do Dó central. É usada para instrumentos e vozes agudos: violino, flauta, violão, voz e a mão direita do piano.
- Ditado musical
O ditado musical é um exercício de percepção em que você escuta um fragmento (uma melodia, um ritmo ou uma sequência de acordes) e o escreve no pentagrama. É comum nas aulas de teoria e nas provas de admissão para cursos de música.
É praticado em teoria musical, começando por ritmos e melodias curtas.
- Leitura à primeira vista
A leitura à primeira vista é a capacidade de tocar ou cantar uma partitura que você nunca viu, sem prepará-la, mantendo a pulsação. Ela se desenvolve lendo com frequência material simples e variado.
Antes de começar, confira a armadura de clave, o compasso e as passagens difíceis; depois não pare, mesmo que erre uma nota.
- Ligadura
A ligadura é uma linha curva que une notas. Se une duas notas da mesma altura, é de prolongamento: você toca só a primeira e soma as durações. Se une notas diferentes, é de expressão: indica tocá-las unidas, sem cortes, ou seja, legato.
- Linhas suplementares
As linhas suplementares são pequenas linhas desenhadas acima ou abaixo do pentagrama para escrever as notas que ficam fora das suas cinco linhas. Por exemplo, na clave de sol, o Dó central é escrito sobre uma linha suplementar abaixo do pentagrama.
- Partitura
Uma partitura é a versão escrita de uma obra musical: notas, ritmo e indicações de andamento, dinâmica e articulação e, na música de conjunto, as partes de todos os instrumentos. A parte que um único músico lê se chama parte cavada.
Se você está começando, siga este guia para ler partituras.
- Pentagrama
O pentagrama é o conjunto de cinco linhas horizontais e quatro espaços em que se escrevem as notas. Quanto mais acima está uma nota, mais aguda ela soa; as linhas e os espaços são contados de baixo para cima.
- Solfejo
O solfejo é a prática de ler a música escrita dizendo ou cantando o nome das notas (Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si) com o seu ritmo. Treina ao mesmo tempo a leitura, a pulsação e o ouvido, e é a base da formação teórica.
Aqui explicamos o que é o solfejo e como praticá-lo.
- Sostenido
O sustenido (♯) é a alteração que sobe uma nota um semitom. Por exemplo, Fá♯ (F#) soa meio tom mais agudo que Fá; no piano, é a tecla preta logo à direita do Fá.
- Tablatura
A tablatura é um sistema de escrita para instrumentos de cordas com trastes, como o violão ou o baixo, em que cada linha representa uma corda e cada número indica a casa que se pressiona. É fácil de ler, mas quase nunca mostra o ritmo com precisão.
Aprenda a decifrá-la em como ler tablaturas.
- Transporte
Transposição é tocar ou escrever uma peça em outra tonalidade, movendo todas as notas pelo mesmo intervalo, por exemplo para adequá-la a uma voz. Isso também explica os instrumentos transpositores, cuja nota escrita não coincide com a que soa: no clarinete ou trompete em Si♭, um Dó escrito soa Si♭.
O saxofone alto é em Mi♭: quando lê um Dó, soa um Mi♭; por isso sua partitura é escrita transposta.
Técnica e interpretação
- Afinação
A afinação é o ajuste da altura de um instrumento ou da voz para que suas notas coincidam com uma referência, quase sempre Lá 440 Hz. A palavra também designa a precisão com que alguém entoa e as notas das cordas soltas: o violão padrão é afinado em Mi, Lá, Ré, Sol, Si, Mi.
Afine com o afinador de violão ou o afinador de violino direto no navegador.
- Articulação
A articulação é a forma como cada nota é atacada, sustentada e unida ou separada das outras. As mais comuns são o legato (notas ligadas), o staccato (curtas e separadas), o acento (>) e o tenuto (–, sustentada por todo o seu valor).
- Digitação
A digitação é a escolha de qual dedo toca cada nota, e também os números que a indicam na partitura. No piano, os dedos vão do 1 (polegar) ao 5 (mínimo); na mão esquerda do violão, do 1 (indicador) ao 4 (mínimo).
Defina a digitação de uma passagem difícil antes de repeti-la muitas vezes: mudá-la depois custa mais.
- Dinâmica e matizes
A dinâmica é a variação de intensidade (volume) na música, e cada indicação que a marca se chama matiz: pianissimo (pp), piano (p, suave), mezzo piano (mp), mezzo forte (mf), forte (f) e fortissimo (ff). O crescendo (<) pede para aumentar o volume aos poucos, e o diminuendo (>), para diminuí-lo.
- Embocadura
A embocadura é a posição e o uso dos lábios, dos músculos do rosto e dos dentes ao tocar um instrumento de sopro, como a flauta, o clarinete, o saxofone ou o trompete. Dela dependem em grande parte o som, a afinação e a resistência.
- Fraseo
O fraseado é a maneira de dar forma às frases musicais ao interpretá-las: onde respirar ou cortar, para qual nota conduzir a frase e como usar a dinâmica e a articulação. É para a música o que a entonação e as pausas são para a leitura em voz alta.
- Glissando
O glissando é um deslizamento contínuo ou muito rápido de uma nota a outra, passando pelas alturas intermediárias. É escrito com uma linha reta ou ondulada entre as duas notas e é característico do trombone, da harpa, do piano e das cordas.
- Improvisação
A improvisação é a criação de música no momento de interpretá-la, sem uma partitura prévia, a partir de uma harmonia, de uma escala ou de um estilo. É central no jazz, no blues e em muitas músicas tradicionais, e se aprende com escalas, frases tiradas de ouvido e muita escuta.
- Lá 440
O Lá 440 é o padrão internacional de afinação que fixa o Lá situado acima do Dó central em 440 hertz (vibrações por segundo). Todas as demais notas são afinadas a partir dessa referência; algumas orquestras usam valores próximos, como 442 Hz.
- Legato
Legato é uma indicação italiana que significa “ligado”: as notas são tocadas unidas, sem silêncio entre uma e outra. Escreve-se com uma ligadura de expressão sobre o grupo de notas.
- Ouvido absoluto e ouvido relativo
O ouvido absoluto é a capacidade, pouco comum, de identificar ou cantar uma nota sem nenhuma referência, por exemplo saber que um som é um Lá. O ouvido relativo é a capacidade de reconhecer notas e intervalos a partir de uma nota de referência; é o que a maioria dos músicos usa e pode ser treinado.
Leia mais sobre as diferenças em ouvido absoluto e ouvido relativo.
- Pizzicato
Pizzicato (abreviado pizz.) é a técnica dos instrumentos de cordas friccionadas, como o violino, a viola, o violoncelo e o contrabaixo, em que a corda é pinçada com os dedos em vez de tocada com o arco. A indicação “arco” sinaliza que se volta a usar o arco.
- Staccato
Staccato é uma indicação italiana que significa “destacado”: as notas são tocadas curtas e separadas, mais breves que o seu valor escrito. Marca-se com um ponto acima ou abaixo da cabeça da nota.
Não confunda com o ponto de aumento: o ponto do staccato fica acima ou abaixo da nota, e o ponto de aumento, à sua direita.
- Vibrato
O vibrato é uma oscilação leve e regular da altura de uma nota que lhe dá calor e expressão. Nas cordas, é obtido movendo o dedo que pressiona a corda; na voz e nos sopros, com o controle do ar ou, em alguns instrumentos, da mandíbula.
Instrumentos e voz
- Afinador
Um afinador é um aparelho ou aplicativo que detecta a altura de um som e mostra se a nota está afinada, abaixo ou acima da altura correta. Existem os de clipe (ou pinça), que captam a vibração do instrumento, e os de microfone.
Você pode usar um afinador online no celular ou no computador.
- Apoio (canto)
No canto, o apoio é o controle da saída do ar com a musculatura do abdômen, das costas e das costelas, que permite sustentar um som estável sem apertar a garganta. Não consiste em empurrar nem endurecer o abdômen, e sim em dosar o ar.
Ele se treina com exercícios de respiração para cantar.
- Arco
O arco é a vara de madeira ou fibra de carbono com crinas tensionadas, tradicionalmente de crina de cavalo, que se fricciona sobre as cordas do violino, da viola, do violoncelo e do contrabaixo para fazê-las soar. As crinas são untadas com resina (breu) para aderirem à corda.
Veja como segurar o arco do violino passo a passo.
- Boquilha
O bocal é a peça do instrumento de sopro que entra em contato com a boca. Nos metais, como o trompete ou o trombone, é um copo no qual os lábios vibram; no clarinete e no saxofone, chamado de boquilha, é a peça onde se prende a palheta.
- Palhetas
A palheta é uma lâmina fina, feita de uma planta chamada cana-do-reino, que vibra para produzir o som em vários instrumentos de sopro de madeira. O clarinete e o saxofone usam palheta simples, presa à boquilha com uma abraçadeira; o oboé e o fagote usam palheta dupla, duas lâminas que vibram uma contra a outra.
As palhetas se desgastam com o uso; aqui você vê como cuidar do oboé e das suas palhetas.
- Pestana
A pestana é a técnica de violão em que um dedo, quase sempre o indicador, pressiona várias ou todas as cordas na mesma casa, como no acorde de Fá (F). Já a braçadeira que se coloca no braço para subir a afinação de todas as cordas se chama capotraste.
É um dos primeiros desafios no violão: a força vem com prática curta e frequente.
- Espelho
Nos instrumentos de cordas, a escala (em espanhol, diapasón) é a peça longa de madeira sobre a qual se pressionam as cordas, com trastes no violão e sem eles no violino. Diapasão também é o nome do garfo metálico que, ao ser golpeado, produz uma nota fixa, quase sempre o Lá 440, e serve para afinar.
- Falsete
O falsete é um modo de produzir a voz em que as pregas vocais vibram esticadas e finas, sem se fechar por completo, e o som sai agudo, leve e aerado. Homens e mulheres o usam, e ele é comum no pop, no soul e em alguns cantos tradicionais.
- Registro
O registro é uma região de alturas de um instrumento ou de uma voz, como o registro grave, médio ou agudo. No canto, também se fala de registros como a voz de peito, a voz de cabeça ou o falsete, conforme a forma como as pregas vocais vibram.
- Técnica vocal
A técnica vocal é o conjunto de habilidades para cantar de forma saudável, afinada e expressiva: respiração e apoio, emissão, ressonância, dicção e domínio dos registros. Ela se desenvolve com exercícios constantes, de preferência orientados por um professor.
Comece cada prática com alguns exercícios de aquecimento vocal.
- Tessitura
A tessitura é a faixa de notas em que uma voz ou um instrumento soa confortável e com boa qualidade, sem forçar. É mais estreita que a extensão, que inclui todas as notas alcançáveis, e ajuda a classificar as vozes em soprano, mezzo-soprano, contralto, tenor, barítono ou baixo.
- Traste
Os trastes são as barras metálicas incrustadas na escala do violão, do baixo, do tiple ou da bandola, que dividem o braço em semitons. O espaço entre eles, onde se pressiona a corda, se chama casa: a “casa 3” é o espaço entre a segunda e a terceira barra.
Formas e estilos
- Arreglo
Um arranjo é a adaptação de uma obra já existente a outro formato, estilo ou conjunto de instrumentos: decidir quem toca a melodia, quais harmonias e ritmos a acompanham e como ela se estrutura.
Levar um bambuco escrito para trio andino a uma banda sinfônica ou a um coro exige um arranjo.
- Bambuco
O bambuco é um ritmo e gênero da região andina colombiana, considerado um dos símbolos da música do país. É escrito em 6/8 ou em 3/4 porque combina ao mesmo tempo a sensação de dois grupos de três e de três grupos de dois, um jogo chamado sesquiáltera ou hemíola.
Escute a diferença em bambuco, pasillo e cumbia explicados.
- Banda sinfônica
A banda sinfônica é uma formação grande de instrumentos de sopro (madeiras e metais) e percussão, sem a seção de violinos da orquestra, embora possa incluir contrabaixo. Na Colômbia, as bandas municipais e escolares são uma porta de entrada muito tradicional para a música.
Se a ideia te atrai, leia como começar nas bandas de sopro.
- Composição
A composição é a criação de uma obra musical nova: sua melodia, harmonia, ritmo, forma e instrumentação. Diferentemente da improvisação, a obra é fixada para poder ser repetida, normalmente numa partitura ou numa gravação.
- Quarteto de cordas
O quarteto de cordas é uma formação de câmara composta por dois violinos, uma viola e um violoncelo, e também o nome das obras escritas para ela. Haydn, Mozart e Beethoven o transformaram num dos gêneros centrais da música clássica.
- Cumbia
A cumbia é um ritmo e gênero do Caribe colombiano, associado às margens do baixo rio Magdalena, escrito em 2/4 ou em alla breve (2/2). Em seu formato tradicional, é tocada por tambores (alegre, llamador e tambora), gaitas ou caña de millo e maracas ou guache, e se espalhou por toda a América Latina.
- Ensamble
Um conjunto é qualquer grupo de músicos que tocam ou cantam juntos, de um duo até uma formação grande. Tocar em conjunto treina a escuta, a pulsação compartilhada e a afinação em grupo.
- Orquesta
Uma orquestra é uma formação instrumental grande, organizada em famílias (cordas, madeiras, metais e percussão) e conduzida por um regente. A orquestra sinfônica costuma reunir entre 60 e 100 músicos, com as cordas como base; a orquestra de câmara é menor.
- Pasillo
O pasillo é um ritmo e gênero andino em compasso 3/4, aparentado com a valsa europeia do século XIX e transformado na Colômbia e em outros países andinos. Pode ser instrumental e rápido, de exibição para a bandola ou o tiple, ou cantado e lento.
- Porro
O porro é um ritmo e gênero do Caribe colombiano, originário das savanas de Córdoba e Sucre e ligado às bandas de sopro, como as bandas pelayeras. É binário, geralmente em alla breve, e tem variantes como o porro palitiao e o porro tapao.
- Trio andino
O trio andino colombiano é a formação típica da música andina da Colômbia: bandola, tiple e violão. A bandola leva a melodia, o tiple sustenta a harmonia e o ritmo, e o violão faz os baixos, sobretudo em bambucos, pasillos e danzas.
Para escolher seu papel no trio, leia este guia de música andina colombiana.
- Vallenato
O vallenato é um gênero musical do Caribe colombiano, originário da região do Magdalena Grande (Cesar, La Guajira e Magdalena) e tradicionalmente tocado com acordeão, caja vallenata e guacharaca. Reúne vários ritmos, como paseo, merengue, son e puya, e foi reconhecido pela UNESCO como patrimônio cultural imaterial em 2015.
Conheça seus instrumentos em instrumentos da música do Caribe colombiano.
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