Como limpar e cuidar de um violino (e de uma viola)?
Breu, arco, cavalete, alma e umidade: o que seu professor de violino espera que você faça depois de cada estudo, toda semana e todo ano. Vale também para a viola.

Depois de cada prática, afrouxe o arco, limpe com um pano seco o breu que ficou nas cordas e no tampo e guarde o violino no estojo com os fechos bem fechados. Uma vez por semana, olhe o cavalete de lado para conferir se continua reto. Nunca toque na crina do arco com os dedos.
Tudo o que vem a seguir também vale para a viola: ela é um pouco maior e tem um som mais grave, mas exige exatamente os mesmos cuidados.
Em resumo
- Afrouxe a crina sempre que guardar o arco: se ele ficar tensionado, a vara perde a curvatura.
- Não toque na crina: a oleosidade da pele impede a aderência do breu e aquela região deixa de produzir som.
- Limpe o breu das cordas, do tampo e da vara com um pano seco depois de tocar; nada de álcool perto do verniz.
- Ao afinar, o cavalete se inclina em direção ao espelho: confira toda semana e endireite antes que ele caia.
- A alma é uma peça interna que só o luthier deve mover; se ela cair, afrouxe as cordas e não toque o instrumento.
O que fazer depois de cada prática, a cada semana e a cada ano
| Quando | O que fazer |
|---|---|
| Depois de cada prática | Afrouxar o arco, limpar o breu das cordas, do tampo e da vara, guardar no estojo e fechar os fechos |
| Toda semana | Verificar se o cavalete está reto e se os microafinadores não chegaram ao limite |
| Todo mês | Verificar fios de crina rompidos, o estado do breu e o interior do estojo |
| A cada 6 a 12 meses | Trocar as cordas se estiverem gastas e fazer uma revisão com o luthier |
| A cada um ou dois anos, conforme o uso | Trocar a crina do arco |
Se você toca várias horas por dia, esses prazos ficam mais curtos. Os intervalos para trocar cordas e crina são apenas uma referência: o que vale é o som e a orientação do seu professor.
Breu e arco: os erros mais comuns
Como passar breu (colofônia)
- Tensione o arco até que, no centro, caiba mais ou menos um lápis entre a vara e a crina. Nem mais, nem menos.
- Passe o breu ao longo da crina, do talão à ponta, com movimentos lentos. Três ou quatro passadas costumam bastar.
- Se o breu for novo e estiver liso, ele não adere: raspe suavemente a superfície para deixá-la áspera; seu professor ou o luthier pode mostrar como.
- Um arco com crina nova precisa de muito mais passadas na primeira vez.
O excesso fica evidente: som áspero, uma nuvem branca ao tocar e pó grudado no tampo. É melhor passar pouco breu a cada uma ou duas práticas do que muito de uma vez. Guarde na caixinha ou envolto em tecido: ele quebra se cair e amolece com o calor, por exemplo dentro de um carro ao sol.
Cuidados com o arco
- Nunca toque na crina nem lave, e não aplique talco ou outros produtos.
- Afrouxe a crina ao guardar o arco, até ficar relaxada, mas sem ficar pendurada.
- Se um fio de crina romper, corte com uma tesoura perto da ponta e do talão. Não arranque: você pode soltar a cunha que prende a crina.
- Proteja a ponta do arco: é a parte mais frágil, e uma pancada no suporte de partituras ou no chão pode quebrá-la.
- Se o estojo ficar fechado por muito tempo, abra e deixe arejar de vez em quando: há insetos minúsculos que comem a crina em estojos escuros e sem uso.
Se você ainda está aprendendo a segurar o arco, confira como segurar o arco do violino: uma mão relaxada também ajuda a cuidar da vara e da crina.
Como limpar as cordas, o tampo e o verniz
Use um pano macio de algodão ou microfibra exclusivo para o violino. Segure o instrumento pelo braço, não pelo tampo, e:
- Passe o pano nas cordas entre o cavalete e o fim do espelho, onde o breu se acumula.
- Limpe o tampo debaixo das cordas e ao redor dos efes, sem mover o cavalete.
- Limpe o espelho, a borda da queixeira e a vara do arco.
Se o breu já endureceu nas cordas, não raspe com as unhas nem com objetos metálicos. Algumas pessoas usam álcool em um pano para limpar as cordas, mas é arriscado: uma gota no verniz basta para manchar ou dissolver. Existem produtos para limpar cordas e verniz de instrumentos de arco; ainda assim, é melhor deixar a limpeza profunda do verniz para a revisão com o luthier.
Nunca use produtos para móveis, limpa-vidros nem polidores genéricos. Uma área opaca onde você apoia o queixo ou a mão é desgaste normal causado pelo suor; o luthier pode protegê-la.
Cavalete, alma e cravelhas
A ponte
O cavalete não é colado: a pressão das cordas o mantém no lugar. Cada vez que você afina pelas cravelhas, as cordas puxam um pouco a parte superior em direção ao espelho. Depois de semanas de afinação, o cavalete inclina, deforma e, no pior caso, cai.
- Olhe de lado: a face voltada para o estandarte deve ficar aproximadamente perpendicular ao tampo.
- Se estiver inclinado, apoie o violino no colo, segure a parte superior do cavalete com os polegares e indicadores das duas mãos e leve suavemente à posição correta. Se nunca fez isso, peça primeiro ao seu professor que mostre como.
- Ao trocar as cordas, passe a ponta de um lápis nas ranhuras do cavalete e da pestana: o grafite ajuda as cordas a deslizar sem arrastar o cavalete.
- Se o cavalete já estiver curvado, endireitar a posição não basta: é preciso trocar.
A alma
Dentro do violino há um pequeno cilindro de madeira, a alma, entre o tampo e o fundo, perto do pé do cavalete do lado da corda Mi. Ela também não é colada. Se o cavalete cair ou você afrouxar todas as cordas de uma vez, a alma pode cair. Se ouvir algo solto lá dentro, afrouxe as cordas, não toque o violino e leve ao luthier: tocar sem a alma pode afundar ou rachar o tampo. Nunca tente posicioná-la por conta própria.
Cravelhas e microafinadores
Se uma cravelha escorregar, empurre um pouco para dentro enquanto gira; se prender ou ranger, pode precisar de pasta para cravelhas. No ar seco, é mais comum escorregarem; em regiões quentes, prenderem. Confira também os microafinadores: se estiverem apertados até o fim, a peça inferior pode arranhar o tampo. Volte para a metade do curso e afine novamente pela cravelha, com ajuda do afinador de violino online e dos passos de como afinar o violino.
Umidade, temperatura e estojo
O violino é feito de peças finas de madeira unidas com cola animal, pensada para ceder antes da madeira. Por isso, quando o ambiente fica seco, o primeiro sinal costuma ser a abertura de uma junção entre o tampo e as laterais; você percebe um zumbido novo. É um reparo simples para o luthier e muito melhor do que uma rachadura.
- Em Bogotá, nas épocas secas ou se você usa aquecedor, um umidificador de estojo ajuda a evitar rachaduras e cravelhas frouxas. Use bem escorrido: ele nunca deve pingar.
- Em regiões quentes e no litoral, o problema é o excesso de umidade: verniz pegajoso, cordas oxidadas, cravelhas duras e mofo no estojo. Deixe ventilar e use sachês absorventes de umidade.
- Nunca deixe em um carro fechado, junto a uma janela com sol ou perto de uma lareira.
- Se você chegar do frio da rua a uma casa quente, deixe o violino alguns minutos no estojo antes de abrir.
O estojo
- Sempre feche os fechos ou zíperes, mesmo que vá mover o estojo só dois metros. Levantar um estojo aberto é uma das formas mais comuns de um violino parar no chão.
- Não leve objetos soltos (breu, afinador, lápis) onde possam bater no instrumento.
- Não deixe o estojo em cadeiras ou camas onde alguém possa sentar.
- Retire o pano do estojo se ele estiver úmido.
Tudo isso também vale para a viola. Para saber mais sobre umidificadores e viagens entre climas diferentes, leia como guardar instrumentos conforme o clima em Colombia.
Erros comuns de quem está começando
- Guardar o arco tensionado “para não precisar tensionar amanhã”.
- Passar breu em toda prática como se nunca fosse suficiente, até o violino ficar branco.
- Afinar sempre pelas cravelhas e nunca conferir o cavalete.
- Deixar o violino em uma cadeira ou na cama “só por um instante”.
- Afrouxar todas as cordas de uma vez para limpar ou trocar.
- Levar no porta-malas do carro ou perto da janela do ônibus, ao sol.
Se você está começando no violino, seu professor vai conferir o cavalete e o arco com você nas primeiras aulas: isso faz parte do aprendizado, não é um extra.
Perguntas frequentes
Com que frequência devo passar breu no arco?
Para a maioria dos alunos, poucas passadas a cada uma ou duas práticas. Se o arco deslizar sem produzir som, falta breu; se houver pó branco e som áspero, há excesso.
Como saber se preciso trocar a crina do arco?
Quando o arco perdeu muitos fios, tem mais crina de um lado do que do outro, já não tensiona bem ou não adere à corda mesmo com breu. Com uso diário, a troca costuma ser a cada um ou dois anos; com menos uso, a crina dura mais.
O que fazer se o cavalete do violino cair?
Afrouxe um pouco as cordas que ainda estiverem tensionadas, guarde o cavalete e escute, sem sacudir o violino, se há algo solto lá dentro. Leve ao luthier: posicionar o cavalete no lugar exato e conferir a alma faz parte do trabalho dele.
Posso limpar o violino com álcool?
Não. O álcool dissolve muitos vernizes de violino, e uma gota basta para deixar uma mancha. No dia a dia, use um pano seco; para uma limpeza profunda, um produto específico para instrumentos de arco ou o serviço de um luthier.
A viola exige os mesmos cuidados que o violino?
Sim: breu, arco, cavalete, alma, umidade e estojo seguem as mesmas regras. O que muda é a afinação (Dó, Sol, Ré, Lá em vez de Sol, Ré, Lá, Mi) e o tamanho do instrumento e de acessórios como cordas, estojo e queixeira.
Fontes
Verificamos os dados deste artigo com base nestas fontes em 22 de outubro de 2026.